Nas minhas desventuras em série insistindo em tocar fandango por aí, muito perdi e praticamente nada ganhei. A paixão é o que me movia, mas ela não é cega pra sempre e muito menos burra. Eu já enxergava – e bem – que estava na hora de parar de desperdiçar tempo de vida nisso. Ainda assim, longe do auge, recomeçava uma vez mais e a coisa ia devagar, mas ia. Em determinado momento a situação foi se azeitando e o conjunto deu liga: uns bailezinhos pra tocar sempre surgiam e até mesmo um disquinho promocional lançamos pra divulgar o grupo. Não tinha a mesma pompa de antes, tampouco a mesma estrutura – sequer o nome era o mesmo, só que eu tava faceirote de novo e até motivado.
Aí um dos meus sócios não só insistiu na história de ter um ônibus, como foi lá e comprou um “pau véio” por sua própria conta e risco. E nada mais foi como antes.
Com o perdão do trocadilho, quase que infame dada nossa realidade na tabela, no que tange a campeonato brasileiro vamos remando. Assim terminamos a edição anterior, onde a canoa por sorte não afundou, e parece que o condutor dos nossos remos não restara satisfeito com a sobrevida a que tivemos graça e segue ‘pagando pra ver’. Com o máximo de respeito que merecia o adversário de ontem, era jogo para vencer de qualquer forma, ainda mais que no horizonte atual do Internacional se desenha novamente uma luta inglória contra a rabeira, no pelotão dos desafortunados.
Seguir remando é adoecer mentalmente todas as partes envolvidas, principalmente o Torcedor Colorado que já está de saco cheio de ouvir e ‘enxergar’ lorota.
Depois de pintado e com os decalques, confesso que aquele ônibus ficou o que chamávamos de “feio arrumadinho”. Ainda assim, não me convencia a tal história. Voltamos a tocar para sobreviver e sustentar aquela lata velha: no bater de arranque era 500 pila morto, isso num tempo em que o diesel era menos de um terço do que se cobra hoje. E como numa ‘maré de azar’, ao invés do ônibus nos arranjar bailes para tocar foi mesmo é nos suprimindo as datas; a ponto de eu voltar a ter de tirar dinheiro bom do bolso para colocar no negócio ruim da banda. E assim remando o desânimo foi batendo e fomos, pouco a pouco, pondo fora todo a gordurinha conquistada. Principalmente, a vontade de sair de casa para tocar, cantar e alegrar um pouco o povo.
O time do Inter depois de muito tempo tem padrão; não se pode negar que o técnico igualmente aparenta ter variações táticas. Alguma jogada ensaiada também temos, perto de quase nenhuma nas últimas temporadas. Sigo achando que Pezzolano é o treinador certo para o momento em que estamos e vivemos. Contudo, não existe futebol sem vitórias e dentro de campo o desempenho não é medido pelo tempo de bola no pé ou mesmo pela desenvoltura dos atletas no perímetro das quatro linhas. Futebol é uma conta matemática simples: destaca-se quem faz mais gols e toma menos.
Ganha aquele que detém o saldo positivo. Fazer e não levar. Ou, fazer mais do que levar. Chega a ser uma caracterização idiota de tão simples.
Em determinado momento, remando sem chegar a lugar nenhum, entendi que meu tempo nos palcos e fandangos já havia se encerrado e resolvi colocar um ponto final na minha história com a música, por mais que o projeto fosse ‘honesto’ em sua essência. Em determinado momento, por mais ‘honesto’ que seja o projeto da nossa comissão técnica atual, remando no brasileirão, a coisa não vai longe e mais um ponto final haverá de ser colocado na nossa desventurada história recente.
Vitórias são essenciais no futebol. Chega a ser uma caracterização idiota de tão simples.
CURTAS
– Repiso: Paulo Pezzolano não pode sair de um técnico estrategista no domingo, para um professor pardal na quarta-feira seguinte;
– Repiso, também: se ele sabe porque veio e em quais condições, também tem saber o que nos mais importa;
– Não gostei da escalação inicial, faceirote, e a tese de que “mexe bem o treinador que escala mal”, ontem não funcionou;
– Rochet é um goleiro de Seleção e possivelmente de Copa do Mundo que, com a camisa do Inter, há algum tempo não entrega esse currículo. Custo benefício horroroso;
– Nosso melhor zagueiro tem 39 anos e claramente está demonstrando se dirigir ao encerramento da carreira. E a diretoria amorfa segue brincando com fogo e não contrata quem precisa;
– Nosso lado esquerdo de defesa já merecia ganhar a honraria de “Avenida Beira Rio”;
– Temos muitos jogadores medianos na titularidade. Maioria útil para grupo, porém pouco para um time efetivamente combativo, eficaz e capaz;
– Mas, importa asseverar: que potreiro aquele campo de Belém – terra em que nasceu Cristo, como um dia disse a lenda Claudiomiro;
– Na prática, o que parece é que estão rifando o início do brasileiro em prol de um título patético de ruralito que só serve para o currículo do desazado Presidente.
PERGUNTINHA
Vamos ganhar alguma partida no brasileirão quando?
Até minha fé inabalável uma hora cansa. Só remando não tem fôlego que resista para sempre.
PACHECO