Quem diria que se usássemos o sistema de jogo mais similar ao ano passado, quando conseguimos uma arrancada sensacional, o time voltaria a apresentar um futebol competitivo.
Quem poderia imaginar que a utilização de um segundo volante com mobilidade e energia, que conseguisse com intensidade estar perto das duas áreas, ajudaria o time a ter mais desarmes e sofrer menos pelo meio.
E quem imaginaria ser possível reeditar uma dupla que deu certo ano passado, responsável pela maioria das jogadas de ataque do time, simplesmente os fazendo jogar no mesmo lado novamente.
Por fim, quem diria que um centroavante de área poderia fazer gols na área, posicionado como sempre jogou.
Enfim, as pardalices do professor Roger foram abandonadas por ele, talvez na tentativa de ter uma sobrevida no emprego, e o retorno ao esquema que lhe deu uma renovação de contrato deu ao Inter uma importante vitória fora de casa.
Claro que o placar foi um pouco melhor que o jogo, Rochet e zagueiros defenderam bolas importantes em momentos importantes, assim como Ricardo Mathias soube fazer os gols que teve chance no momentos também muito importantes do jogo, mas só o fato de a defesa ter levando muita vantagem dentro da área, no 1×1 demonstra que o sistema de marcação de Roger segue falho.
Alan Rodriguez ajuda muito, mas essa ideia de marcar com uma linha de 3 não vem dando certo faz tempo, e ele precisa recuar, na marcação, ou Wesley, ou Tabata.
Aliás, Tabata não fez um grande jogo, errou muito, mas termos um jogador que pode reter a bola e organizar uma jogada pelo meio, limpando o sufoco com um drible por dentro, já é um grande desafogo para Alan Patrick, permitindo que ele flutue mais em campo, sem a responsabilidade de ser o único jogador a receber a bola na retomada.
Wesley e Bernabei entrosados também é outra história, e claro que não dependeu de um “estudo” do Roger, mas pela ausência de Carbonero é que voltaram a jogar juntos.
Espero que Roger, se for mantido (o que acho um erro), abandone suas tentativas de fazer o Inter jogar diferente do que ele mesmo sabe fazer e aproveite os jogadores em melhor momento, nas posições que rendem mais, para montar o time na sequência de jogos.
Como escrevi esses dias em rede social, má-fase deve ser curada no banco, com ingressos eventuais em partidas preferencialmente já decididas. Jogador não desaprende, mas insistir em hierarquia de vestiário quando o rendimento prejudica o time, é uma das maiores burrices constantemente praticadas no futebol brasileiro. E Borré errou um cabeceio que não pode errar.
Mathias é do ofício, é da área, se posiciona como tal, se movimenta como jogador de área, de pivô e é um bom finalizador. É tudo o que se diz dele há dois anos, mas a birra de Roger com ele o impedia de jogar, e foi ridículo tentar mostrar que jogou só porque ouviu o que o treinador aconselhou. A soberba do professor foi desnecessária, bastava o elogio.
O time precisa melhorar muito ainda, e sugiro que Prado fosse tentado como o segundo meia, onde jogou Tabata, e onde ele sempre jogou na base, e talvez possamos ter um rendimento melhor no ataque e no meio.
Agora é torcer que as mudanças/retornos não tenham sido apenas lampejo, e sim uma avaliação consistente de que é melhor tentar fazer o que sabe, usando o que de melhor estiver disponível, sem invenções.