Tenho vivido nos últimos meses na cidade conhecida pelo seu “amor fraternal”. Philadelphia, capital do estado da Pennsylvania, nos EUA, é a cidade do “brotherly love”. De fato, tenho sentido um acolhimento surpreendente desde que cheguei aqui, seja no trabalho na universidade, seja na vizinhança onde moro. É coisa comum ver as pessoas desejando bom dia ou agradecendo motoristas de ônibus e bondes, caixas no supermercado, enfim, em todo lugar.
Aí você pergunta: e o que EU e O INTER temos a ver com isso, Pablito?
Bem, o Aguirre. Nosso técnico é uma expressão do amor fraternal, um homem discreto, bem-humorado, educado, pacífico. Antes de tudo, deixo claro que acho isso fantástico e fico orgulhoso de ter uma pessoa assim no comando do time que amo.
MAS, no futebol, como em qualquer outra competição, estas virtudes precisam dividir espaço com uma outra: a VONTADE DE VENCER, o que implica derrotar seus “irmãos”. O Inter tem jogado cada vez melhor, mas essa vontade de vencer ainda não apareceu no olhar dos jogadores e ainda não transparece nas palavras e fisionomia do Aguirre.
Pois bem, está na hora de deixar essa fraternidade de lado e mostrar a que veio. Não apenas jogadores, mas principalmente o Aguirre. Está na hora de despertar no time a fome que é fundamental para alcançarmos os tão almejados títulos este ano. Está na hora de mostrar ao Grêmio e aos demais adversários que eles realmente tem o que temer.
Na última partida, Aguirre mudou o Inter em função do Grêmio, abdicando em parte da proposta de jogo do time e respeitando demais o adversário. Agora isso acabou. Amanhã, o Inter tem que ser o dono do jogo, tem que propor as ações, tem que mostrar ao Grêmio que ainda não será dessa vez e muito menos na nossa casa. Amanhã é dia de terminar de agarrar a taça com as duas mãos e não apenas ficar flertando com ela.
Até então, temos flertado com o bom futebol nos jogos e flertado com o papel de protagonista no futebol brasileiro.
Não mais.
É hora de assumir o papel e mostrar a que veio.
