TRÊS POR QUATRO

Na minha última e derradeira estada pelo Vale dos Sinos passei a optar por tirar o carro da garagem o mínimo possível e andar mais de ônibus. Algo surreal, poderia se dizer, a medida que minha paixão por carros eu já externei por aqui algumas vezes. Mas neste tempo eu recebi autorização para guiar um veículo da repartição, de modo que de uma forma ou de outra passaria de qualquer jeito o dia embarcado. A exceção da ida e volta, que então percorria de ônibus.
O processo foi facilitado pela existência de uma linha colegial que além de me pegar numa porta e largar em outra – praticamente – ainda era um micro-ônibus novinho e com ar condicionado, afinal, carregava tão somente uma porção de jovens e eu já velho aquele tempo. Uma cebola na salada de frutas. Naquelas viagens, embora curtas, um casalzinho (ou a esperança do rapaz neste sentido) me chamava a atenção. Ela entrava antes e claramente colocava seus materiais no banco ao lado de propósito. Ora, quando chegava a vez dele subir rapidamente ela recolhia seus apetrechos. A expectativa, logo, era de ambos. Afora que que o cheiro de romance pairava pelo ar.
Ela, alemoa nata que falava do dialeto que gostam bastante de usar por aquelas bandas. Ele um tanto quanto rústico que, numa oportunidade, deixou claro que apesar da chacota no Colégio às suas origens, nunca deixara de lado seus trejeitos gaudérios. Mas, pelo amor, um dia ele aceitou compartilhar dos gostos da moça, que deixou todo mundo ver que trazia consigo um disco da banda San Marino, no seu auge:
“Um copo de cerveja
Debruçado sobre a mesa
Um copo era a minha companhia
Garçom desce mais uma
Num porre de espuma”
Não sei se algo rodou mais que o sucesso “Foto 3×4” naquela época. Eu mesmo sabia aquela letra de cor e nem era lá um índio muito afoito ao bailão.
Pois, três por quatro, é a nossa relação para com o que vem pela frente: buscamos ao mesmo tempo o título número 3 da Copa Libertadores da América e a taça número 4 do Campeonato Brasileiro.
Concomitantemente: 3×4.
O primeiro passo do tetra nós demos, com um empate valoroso no Rio de Janeiro. Se é bem verdade que o ditado diz que quem tudo quer, tudo perde, empatar nas circunstâncias que se deram não foi um mau resultado quando a tendência é que a esmagadora maioria vá é amargar derrotas por lá. O segundo passo começa hoje à noite, contra os novos baianos que agora detém um mecenas por trás. Dinheiro, portanto, não lhe falta, enquanto sobra para nós toda uma bagagem já calejada em busca do tri.
Se sobram as moedas para alguns, ao menos o Internacional é um profundo conhecedor dos atalhos.
A moça da foto 3×4 para nós são duas, duas taças que vamos buscar para enaltecer o nosso novo período vindouro de glórias. A conta da tristeza já foi paga e não há mais razão de desgosto para nós.
No caso do casalzinho as aulas terminaram e eu nunca mais os vi. Só que para o Inter, em verdade vos digo, o ano está só começando. E é tempo de amar.
Três por Quatro. O Tri e o Tetra!
E tá feito o brique meu Colorado…
CURTAS
– Professor Roger tem talento para a leitura dos jogos, mas poderia ter sido menos comedido na última partida. Quando retomou o domínio da meia cancha, mostrou conhecer do caminho;
– Borré ainda não jogou o que pode no ano corrente. Por isso, eu iria de Enner Valencia;
– Empate no Rio, dadas as circunstâncias e à noite pouco inspirada no nosso Camisa 10 foi ponto ganho;
– A lesão de Rochet, da forma que foi, tão somente fatalidade. Tenho convicção que ainda estará envergando a meta Colorada e a história o reconhecerá;
– Café Aguirre, repiso-me, precisa ao menos de uma boa sombra. E tem de ser dele o primeiro gol hoje. Com mística a gente não brinca;
– Belo gol do Bruno Henrique a quem eu pouco abordo por aqui. É pena não ter mais perna para aguentar uma partida inteira, mas vem demonstrando seu valor;
– Juninho, o estreante, foi bem no primeiro tempo e o ritmo foi-se indo na segunda etapa. Contudo, nossa zaga parece, enfim, estável. Mesmo Rogel é peça importante, pois tem a cara descompensada duma Libertadores.;
– A imprensa do eixo parece que passou a nos apontar favoritismo. Sem deslumbramentos, chegaremos a lugares distantes. Logo, é corda esticada e foco ao grupo;
– Deslumbramento pode ser um fator primordial para uma vitória nossa hoje à noite;
– Sport Club Internacional é talhado à Libertadores. Vamos a la Copa!
PERGUNTINHA
Chegou a hora de buscar o 3×4?
De já hoje eu quero acreditar que vencer, sim, é possível. Vamo, Vamo INTEEERR!!!
PACHECO