Passado no presente

4.4
(7)

Umas das coisas que mais tem me feito refletir nessa reclusão forçada são algumas notícias que andam surgindo à respeito de fatos ocorridos no período sombrio de 2015/2016. Na semana passada foi a entrevista de Seijas, que nos trouxe ainda mais certeza do rotundo equívoco chamado Celso Roth.

Agora, novamente acompanhando o canal vozes do gigante, vi a boa entrevista concedida por Lisca, que trouxe mais alguns elementos do caos em que o clube estava metido, e que nos levou à completa destruição ao final de 2016. Vou citar 2 momentos:

“Valdívia bateu direto uma falta que até o Danilo foi pra dentro da área. Eu queria matar ele. Eu cobrei ele no vestiário e todos os jogadores comemoram. Eles achavam que ninguém cobrava ele. Chamei o Valdívia pra uma reunião. Entrei na sala e ele tava com os dois pés em cima da minha mesa. Falei que era falta de respeito. No final, acabou se abrindo e terminou a reunião chorando. Criei um vínculo legal com ele.”

“Não foi um choque pra mim a investigação do Ministério Público. Lá dentro já tinha muito comentário sobre isso. D’Alessandro foi embora e me disse: um dia te conto tudo que eu sei. A relação da direção com os jogadores era muito frágil. Minou todo o ambiente do vestiário. Não havia moral dos dirigentes para cobrar. A pior coisa é que os dirigentes da época não podiam olhar no olho dos jogadores para cobra-los”.

Além da coragem do ex-técnico colorado para falar sobre situações envolvendo ex-dirigentes, me fez refletir a parte da entrevista alusiva à Valdivía, em especial depois de ver uma frase dita por um internauta:

“E pensar que fui no beira rio usando peruca em homenagem a esse jaguara!!!”.

Esse desabafo me fez pensar que por muito pouco em 2015 eu também não fiz o mesmo, quando estávamos voando na LA. Isso mostra – além do quanto desconhecemos as pessoas, olhando do ponto de vista do torcedor/ídolo – o tamanho do ‘estrago’ que o dinheiro, a badalação bajulação da imprensa, e da própria torcida/direção do clube, podem causar; em especial em atletas em início de carreira, que ainda não possuem estrutura familiar, psicológica e financeira, fazendo com que se achem melhores e superiores aos demais ‘mortais’. Inclusive, faz terem a sensação de estarem acima do próprio clube que os projetou. Valdívia foi um desses casos.

Digo isso, pois eu era um dos sofridos torcedores que estava no Beira-Rio naquele fatídico jogo contra o São Paulo no dia 21/08/2016, em que Valdívia conseguiu errar um pênalti aos 46min do 2º tempo, ao chutar pra fora os 3 pontos que provavelmente teriam nos livrado da ruína. Naquele dia tive 2 certezas. A primeira era a de que Valdívia não era um craque, muito embora ele ‘se achasse’ um. No máximo e com boa vontade, um jogador de boa técnica e qualidade, mas que pecava por ser desleixado. Aquele jogador mediano que num time encaixado consegue render, causando a falsa impressão de ter mais qualidades do que realmente tem (inclusive, poderíamos ter sido Tri da LA com ele em 2015, pois estava jogando em alto nível). A prova disso foi que sacramentado o rebaixamento, o jogador, achando que os campos e estádios digamos, menos favorecidos, não eram dignos de vê-lo desfilar seu futebol, se negou a jogar a Série B, fazendo com que o clube tivesse que pagar seu gordo salário vestindo outra camisa, ao invés de vê-lo jogando de vermelho na tentativa de ajudar a tirar o clube do buraco que ele mesmo ajudou a cavar. Perambulou por diversos clubes, sem ter sucesso em absolutamente nenhum deles. Agora, vestindo a camisa do Avaí, mais uma vez achando-se superior aos demais, negou-se a ter seus vencimentos reduzidos, sendo o único dos jogadores emprestados pelo clube a ter essa postura … nesses tempos de pandemia e crise financeira sabida por todos.

 

‘Se achava’ um craque … o tempo provou o contrário.

 

Por essas coisas ditas por Seijas, e agora por Lisca, que é sou da opinião que ABSOLUTAMENTE TUDO que se passou naquele momento sombrio deve ser exposto à torcida – razão principal do clube!!! – até para que os equívocos não sejam repetidos. Doa a quem doer, a caixa preta do período de trevas deve ser aberta. É nosso direito saber quem esteve do lado errado e do lado certo da história.

Ah, já ia esquecendo … a segunda certeza foi a de que, com aquele pênalti incrivelmente desperdiçado, nossa sorte – ou melhor, a falta dela – estava selada. Podem me chamar de pessimista, mas naquele dia voltei pra casa com a terrível sensação de que o fundo do poço era questão de tempo. Coisas de torcedor. Alguns sentimentos não têm explicação. Mas isso é assunto pra outro dia.

 

Dia de premonição e certezas.

 

Para finalizar, a Hebe/Ronald McDonald do uma-e-tá é ou não integrante do grupo de risco para o Covid-19, para poder ir à praia brincar de jogar bola??? Péssimo exemplo, num momento em que o país ultrapassou a faixa dos 50.000,00 mortos pela pandemia. Que ele ‘não tem função’, isso eu já sabia!!!

 

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Author: Régis Martins

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