ANOS DOURADOS | BLOG VERMELHO : Sport Club Internacional

ANOS DOURADOS

4.8
(28)

Como nenhum outro Colunista aqui deste Blog Vermelho deve beber como eu, ninguém ousaria fazer um texto de despedida para o Rodrigo Dourado. Mas eu, neste momento, madrugada do dia 16 de junho – aniversário do guri mais velho aquele – tendo a garrafa de Ballantines como parceira (achei perdida por aqui), comemorando ou não o time dentro de campo (gosto de textos atemporais), o farei pois reconheço que já não mais me guarneço do juízo perfeito.

Se foi o nosso menino de ouro.

Primeiro que a nova geração não dá mais valor pra nada. Ora, transformaram o valor do ouro em qualquer coisa. Isso até me traz penitência, afinal, nunca me lamentei como deveria ao que passou o Ladir, um velho conhecido que largou tudo por aqui – inclusive a família que ele ainda não tinha, para tentar a sorte garimpando ouro no Acre. E ele sofreu. Só de viagem acho que foram uns vinte dias ou mais, atravessando as paisagens mais selvagens desse país embarcado nuns ‘pau de arara’ qualquer. Quando ele voltou, mais pobre do que quando foi, eu deveria ter-lhe definido como o “amigo de ouro”. Talvez ele se sentisse mais acolhido após o insucesso da empreitada; ou, talvez não, remoendo o seu fracasso. Como não fiz, nunca saberei, é bem verdade.

Já do nosso Dourado eu nem preciso contar muito. Desse todo mundo conhece a história e seu valor para com o Clube e o time.

Tá certo que assim como eu não tenho como saber qual seria relação do Ladir com meu “apelido carinhoso”, também nós torcedores nunca saberemos aonde Rodrigo Dourado poderia ter chego não fosse aquela lesão que destruiu seu joelho; ainda que pode não ter sido a lesão, mas quem tratou dela que impôs o resultado catastrófico. Mas o que fica sempre é a perspectiva final, concordam? Ora, quando morre alguém quase sempre as pessoas no fingir que choram dizem à beira do caixão: “uma pena, era uma pessoa tão boa”. Mesmo para aqueles que não prestaram pra nada toda uma vida (menos ainda na morte). 

No caso do Dourado, aliado ao futebol empobrecido dos seus momentos finais com a camisa alvirrubra, ainda nos lembramos só de coisas miseráveis, como do soco que tomou num greNal e deixou por isso, ou da história do “medo de ser feliz”. Quem sabe para esse defunto nem todos diriam que “pena, foi uma pessoa tão boa”.  

Se foi o nosso menino de ouro. E o mais engraçado é que deve ganhar o dobro do que ganhava por aqui e já era bastante. Ainda deixará seus amigos Edenilson, Moisés e Taison que vão “sofrer” de despedida hoje e fazer de conta que nada aconteceu amanhã. E assim é o futebol.  O verdadeiro sofrimento mesmo quem experimenta somos nós os Torcedores – assim como deve ter experimentado o Ladir no tempo de garimpo – que aqui ficamos criando expectativa com o Internacional melhor dentro das quatro linhas, renovado e revigorado por novas mentes sãs – daqueles que entram em campo; esmerando nossa fé, uma vez mais, de que um novo tempo está para chegar com taças e tudo que temos direito.

Os anos dourados para o torcedor não foram estes com o Dourado envergando a braçadeira de Capitão. Os seus anos dourados, quem sabe, ainda estão por vir. Não será aqui próximos de nós, isso lhes garanto. Se ele levasse consigo alguns parceiros que ainda teimam em ficar, bom, daí poderia até afirmar que não seriam nossos verdadeiros anos dourados do momento, mas que fariam termos um futuro bem mais radiante, isso fariam.

Se foi o nosso menino de ouro. Sem deixar saudade alguma.

 

CURTAS   

– Me empolguei e vi pouco ou quase nada do time, ontem. Quando dei por mim já tínhamos ganho. Que vitória:

– Temos de parar, todavia, de tomar tanto gol de cabeça. Mesmo porque não temos uma zaga feita de anões; quero acreditar nisso ao menos;

– Pode até ser da bebedeira, admito, mas parece que o time está dando liga. Tomara que tome rumo;

– Vencer no Cerrado por si só já beira a utopia para o Colorado. Ganhar com assistência do Moisés para gol do Edenilson, então… Pintou o campeão!

 

PERGUNTINHA

Edenilson vai ou fica?

 

Eis a ilusão que nos ronda, minha gente Colorada!

PACHECO

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Author: Nestor Pacheco

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