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Um comentário que diz muito sobre a direção, o técnico e o time, atualmente. Um comentário que nos mostra porque, neste momento, ainda estamos fadados à série B. Se a mentalidade e a atitude por trás dessa fala não mudarem, não há mesmo o que fazer:

É complicado tudo o que vem acontecendo com a gente. A gente tem trabalho muito forte. A diretoria e o professor Celso têm dado todo o respaldo. O Inter é gigante e não poderia estar passando por isso. Como o professor falou, estamos sofrendo gols nos extremos dos jogos. É inadmissível tomar gol no início e no fim das partidas. A gente tem que estar concentrado os 95 minutos. Um detalhe acaba comprometendo o resultado. A gente veio para vencer, sabendo da qualidade do América-MG, que está em uma situação difícil assim como a gente. Mas viemos em busca do resultado e tomamos um gol que não dá para explicar o que aconteceu. Mas só nós podemos sair disso. Temos que nos unir, nos fechar, um precisa do outro, um jogador sozinho não vai resolver a situação do time.”

Danilo Fernandes, aqui.

É complicado tudo. Não, não é. E como eu gostaria que alguém dentro dessa merda de clube tivesse o mínimo de lucidez e inteligência pra reconhecer isso. Comissões técnicas que não duram, começa daí. Por não durarem, os times nunca são montados conforme uma visão de futebol homogênea, consistente. Como é que uma comissão que dura no máximo 1 ano, algumas 5 jogos, pode montar um elenco em que contratos dos jogadores duram 3 ou 4 anos? O elenco do Inter é uma colcha de retalhos determinada por 5 técnicos diferentes, além das escolhas arbitrárias da direção por “negócios de ocasião”. O que o torcedor comum não vê e o dirigente mediano também não é que a consequência dessa dinâmica nefasta leva tempo para aparecer com toda sua força: após pelo menos 5 anos de constantes trocas de técnicos, chegamos a um elenco que não dá e não vai dar liga, venha qual técnico vier.

A gente tem trabalhado muito forte. Trabalho inútil, se o problema acima não for antes de mais nada reconhecido e enfrentado. Como? Reavaliando o elenco num trabalho intenso e rápido (tipo 1 ou 2 semanas) cujo resultado deve ser: (a) uma espinha dorsal do time com os melhores jogadores e mais compatíveis entre si; (b) uma lista dos jogadores que completarão o time e que também combinem com a espinha dorsal (técnica, força, velocidade etc.); e (c) uma lista de jogadores a serem enviados para Alvorada, até que se decida o que fazer com eles. Feito isso, ainda temos dois grandes desafios: detectar e combater os vícios do elenco (falta de confiança, manias de jogo inadequadas, ansiedade, falta de disciplina tática, preparo físico deficiente etc.); e, por fim, ter um técnico que saiba o que faz, obviamente, ou o trabalho duro só servirá para fazer o time desaprender a jogar (alguma semelhança com a realidade atual?).

O Inter é gigante. Não, não é. O Inter é o que seus jogadores, dirigentes e torcida faz dele. Nesse momento, perdemos até para o América-MG. Nesse momento, somos pior time do campeonato. Temos uma HISTÓRIA GIGANTE e só (mas é muito, claro). Nem o estádio é mais “gigante” no sentido original, quando comparado aos demais Brasil afora. O problema central é que jogadores medianos e ruins, quando vêm pro Inter, tendem a se tornar arrogantes e a demonstrar empáfia, pois acreditam que só de vestir a camisa se tornam “gigantes” como o slogan diz. Por isso não gosto desse slogan maldito (assim como o “campeão de tudo”). Um clube tem que ter humildade e tem que ter ambição. Gigantes, mesmo nos contos de fadas, estão fadados ao fracasso, à queda.

É inadmissível tomar gol. Não, não é. Até o Barcelona toma gol. Inadmissível é não fazer 5 gols no América-MG ou 2 gols no Vitória-BA. Inadmissível é não criar chances claras de gol num jogo como o de ontem. Inadmissível é jogar recuado e cagado contra qualquer time. Inadmissível é não trocar 4 passes certos em progressão. Enquanto vocês ficam cagados tentando não tomar gol, esquecem de fazer o mais importante: jogar.

Um detalhe acaba comprometendo. É óbvio, quando se joga “pelo detalhe”. Um time que se mantém na corda bamba em qualquer jogo, vai sempre depender do detalhe. Um time que faz um gol, quando faz, e fica desesperado tentando não tomar um o restante do tempo, sempre vai depender do detalhe. Um time que aceita levar 500 cruzamentos num jogo, vai depender do detalhe, sem dúvida.

A gente veio para vencer. Não, não vieram. Entraram para não perder e assim jogaram e assim perderam. Desde o técnico, passando pelos dirigentes, até cada jogador em campo, o pensamento hoje é de “não perder”. Admitam isso e então mudem.

Tomamos um gol que não dá pra explicar. Dá sim. Vocês recuaram demais, não mantiveram a posse de bola. Isso permitiu ao América cruzar inúmeras bolas na área. Nosso time sempre deixa espaços para os adversários chutarem ou cruzarem. Sempre. Uma hora, espera-se, um atacante do América acabaria acertando uma cabeçada. Mesmo uma zaga boa, que não temos, acabaria levando um gol nessas condições. Então, dá sim pra explicar o gol. É parar de se negar a ver a realidade e a encará-la.

 

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Author: Pablo Faria

Mais um torcedor colorado, mas goiano. Além disso, linguista como profissão e músico/cantor nas horas vagas.

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