Erros e erros

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Foto de capa: ZH digital.

Há dois tipos de erros: aqueles que resultam de teimosia, desatenção ou falta de autocrítica e aqueles que resultam de um processo ainda em desenvolvimento que, portanto, ainda não estabilizou.

A falha de Alisson é do segundo tipo, não há dúvida. Um goleiro que vem mostrando seu valor, crescendo dia a dia e que sabe que ter a habilidade de sair da área para se antecipar a lançamentos nas costas da zaga é um requisito quase básico para o mercado em que ele entrará em breve, isto é, o europeu. Para os vôos que ele deseja alçar, ter essa habilidade é fundamental. Mas, até conquistá-la, ele vai errar, mas vai aprender, pois é trabalhador, autocrítico e centrado.

E a falha do Jackson? Li nos comentários que não é a primeira vez que ele comete esse tipo de falha. Azar? Sina? Creio que não. Eu arriscaria dizer que é falta de autocrítica e desatenção. Quando é realmente exceção, pode até ser azar. Mas quando se repete é resultado de um padrão, neste caso, um padrão negativo no estilo de jogo dele. Há formas e formas de chegar numa bola, algumas mais e outras menos arriscadas. Quem joga na defesa sabe bem disso. Daí a imperiosa necessidade de se posicionar bem, em primeiro lugar, e de evitar jogadas de risco, exceto em último caso. E, quando tiver que recorrer a uma jogada de risco, acionar toda a sua capacidade de atenção, de concentração, para executar os movimentos da melhor forma possível.

Parece complicado, mas com trabalho sério, autocrítica e desejo de perfeição, não é tanto assim.

Mas as piores falhas do jogo passado, a meu ver, foram as do Argel. Primeiro, por não ter na manga opções para mudar a dinâmica do time e do jogo. Não possui alternativas. E já é praticamente março… Segundo, por tentar blindar os jogadores ao final do jogo, nessa atitude exagerada e patética de paizão que ao invés de atenuar as falhas do jogadores, apenas as torna ainda mais visíveis, diante do que Argel disse. Não, as falhas do jogadores não foram suas, Argel, foram deles. As suas falhas, Argel, são as de não ter opções para mudar o jogo e as de se contentar com pouco, não ter ambição nem como treinador (você aceita ser limitado e parece confortável com isso) nem quanto ao que esperar do time.

E só nesse sentido, veja bem, é que você pode assumir alguma culpa nas falhas do jogadores: num time mal ajeitado, a ansiedade cresce nos jogadores ao longo do jogo, de modo que pouco a pouco cada um começa a querer resolver sozinho, deixando de pensar o jogo coletivamente. Talvez por isso é que Alisson foi incapaz de confiar nos zagueiros que estavam na jogada, assim como Jackson foi incapaz de negociar com Alisson um modo de lidar com a aquele jogada, por exemplo, fingindo que iria bater na bola mas “furando” ela para que ele pegasse (para isso, Alisson teria que se adiantar, é claro).

Enfim, parece que temos alguns talentos potenciais este ano e que podem crescer, sem dúvida, como podem naufragar se mal geridos.

E os primeiros sinais da gestão do grupo não são lá muito bons. Perdemos em casa para o Veranópolis com o time titular.

 

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Author: Pablo Faria

Mais um torcedor colorado, mas goiano. Além disso, linguista como profissão e músico/cantor nas horas vagas.

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