Precisamos do futebol?

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Neste final de semana, recebi um cartoon no WhatsApp dizendo que, com a quarentena, vimos que sobrevivemos sem futebol, mas não sobrevivemos sem agricultores. Hoje, há um artigo na ZH falando sobre a necessidade do futebol, mas abordando  o aspecto emocional.

Concordo em parte com os dois. Os agricultores, industriários, empresários de qualquer tamanho, trabalhadores em geral são mais importantes que jogadores ou o próprio futebol, mas sem esquecer que jogadores são também trabalhadores.

E ainda que o futebol tenha importante carga emocional, seja válvula de escape para muitos sentimentos bons e ruins, deixou de ser isso apenas, há muito tempo.

Nenhuma das situações aborda o importante aspecto econômico do futebol, como gerador de empregos, como fonte de circulação de riquezas, ainda que no campo do esporte como entretenimento.

Certo que há o futebol de alto nível, de altos salários, competitividade e riquezas, assim como há o futebol do jogador de salário mínimo e contrato de seis meses, temporada dos que jogam apenas regionais. Em números absolutos, empregam mais gente que série A e B, sem contar as categorias de base não remuneradas, que vivem de esperanças e abastecem também de esperanças os times grandes.

Tudo isso mais a várzea, que já abasteceu clubes com Keno e Damião, e outros sem tanto sucesso.

Se futebol não produz alimentos e extravasa emoções, tem um componente na circulação de riquezas que não pode ser desprezado, e economia sem circulação não significa nada.

Lembro do fenômeno Michael Jordan, objeto de estudo em que constatou a movimentação de um bilhão de dólares em torno do jogador, só dele.

Por isso, ainda que entretenimento, ainda que nada produza ou industrialize em termos de bens físicos de primeira necessidade, futebol segue importante, segue economicamente relevante, sem contar o expressivo componente emocional irradiado a partir daquelas 4 linhas e marcas de cal.

São poucas as empresas que tem orçamento na casa dos 300 milhões, como o clube Internacional, e que gera movimentação da economia em números muito maiores que isso. Do ambulante que vende água fora do estádio ao pipoqueiro chique dos camarotes, passando por todos os pontos de venda que funcionam só quando tem jogos, o futebol é a fonte de renda deles, e estes precisam do futebol tanto quanto precisamos do agricultor.

Por isso entendo manifestações que reduzem ou enaltecem a importância do futebol, mas jamais deveriam esquecer outras importâncias do futebol.

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Author: Mauro loch

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