Mauro Loch

O CAMPEONATO QUE NINGUÉM QUER GANHAR

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Esperei terminar o jogo do Galo para confirmar minha “tese” de que ninguém quer ganhar esse campeonato brasileiro.

O Galo, que empatou hoje, era o favorito, disputando uma só competição e apresentando um futebol arrasador tanto em termos técnicos como em intensidade, mas foi perdendo fôlego na exata medida em que Sampaoli foi ganhando seus reforços caros. Com Jair e Sasha, estava melhor.

O outro candidatíssimo, com elenco invejável, dinheiro e má escolha de treinadores, além de falta de convicção, também patina, muito embora ainda seja o que considero com mais chances. O Fla escolheu o melhor treinador de times pequenos do momento, que sofre da síndrome do “Quero ser grande” (quem assistiu à bela comédia com Tom Hanks, vai entender melhor). Não é o primeiro time em que Ceni é desconstituído  no vestiário e se embola em pardalices.

Já o SP fica refém de um excelente treinador que não abre mão de um conceito mesmo quando é visível que não está funcionando. Diniz tem bala na agulha, ou conhecimento na cabeça,  para versar outro conceito na hora do aperto, mas sua teimosia, do tamanho do ego, põe tudo a perder, inclusive o vestiário, com sua postura desnecessária com os jogadores.

O Palmeiras vem crescendo, mas disputa outras duas competições com largas chances de título, e pesará a flauta da ausência de mundial. Mas é meu segundo candidato sério, pelo menos nas duas próximas rodadas.

O próprio porto-alegrense ensaiou uma escalada, mas também esbarrou na empáfia de seu treinador, que aposta tudo na aposta do Palmeiras na Libertadores para se gabar de mais um título.

E temos nosso glorioso Internacional, renascido com cinco vitórias consecutivas, aproveitando a tabela que não aproveitou no primeiro turno, com mais dois jogos para se definir candidato sério.

Tudo isso em termos de tabela. Em termos técnicos, infelizmente, somos o patinho feio dos candidatos, até o momento classificado como o time eficiente,  já que não mostrou futebol nessas vitórias.

Mas Abel é isso, pura emoção, partindo pra cima do adversário em jogadas isoladas no espaço deixado enquanto o time sofre, na bela definição do Eduardo Lino.

Há quem goste, e defenda o futebol de resultados, do time mais fechado aproveitando as oportunidades, normalmente em bolas paradas, seja lá quem for do outro lado.

Daí fácil explicar os resultados e desempenhos contra Bahia, Ceará e Goiás, e até mesmo contra o Palmeiras.

Particularmente, gosto de outro tipo de futebol, com volantes sofrendo pênaltis não marcados na pequena área adversária, ou alternado conclusões de dentro e fora da área, ou mesmo com jogadores que precisam ser marcados.

Contudo, vamos falar do que temos, e temos um time bem individualista, com pouca ou nada de afinidade na troca de passes perto da área adversária, que tem sobrevivido à base de bolas paradas e lampejos esporádicos de um conjunto.

Há times que fazem isso já faz tempo, e pode dar certo, um certo domínio inútil da bola e arrancadas individuais ou bolas espirradas, com apenas um esquema e uma ideia de jogo.

Mas retorno a dizer, particularmente, não é minha preferência, assim como sei que não será em três ou seis meses que um treinador mudará uma fórmula que se repete há muito tempo, e que além de poucos resultados, oferece pouco desempenho.

Sofrer para o Goiás, cujo ataque é formado por Rafael Moura e Fernandão é sofrível, com perdão da redundância. Embora possa ser dito que ganhamos do Ceará pelo mesmo placar que o Ceará ganhou do estrelado Flamengo, o Ceará não aproveitou as chances que teve contra nós, muitas criadas por nós mesmos, enquanto o Fla não aproveitou as inúmeras chances que ele mesmo criou, principalmente com Pedro perdendo gols pouco imagináveis.

Essa é a diferença a ser analisada, ou podemos ficar felizes só com o resultado.

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