4.5
(37)

Se havia alguma dúvida sobre a insatisfação dos jogadores com o treinador, e da atitude dos boleiros de perder jogos para derrubar Ramirez, o jogo de ontem deixou isso às claras.

A questão do preparo físico, que vinha novamente à tona, repetindo os absurdos que diziam sobre o Aguirre, também foi desmascarada pela correria do time com um a menos.

A questão tática do time desarrumado foi outro ponto digno de nota. 3 expulsões seguidas de jogadores na mesma posição, e somente ontem se adotou duas linhas de quatro, o básico do básico com um jogador a menos, mas que não foi adotado nos jogos contra o Vitória e Fortaleza.

Temos que lembrar que, antes do motim, goleamos na Libertadores com um jogador a menos.

Caído o pano, o teatro da falta de fôlego e intensidade demonstra que o clube chegou na encruzilhada bem antes do que deveria, e não há outro caminho que não seja se desfazer desses atores não profissionais, que jogam apenas por interesse próprio e querem moldar o clube segundo suas vontades.

Foi absolutamente constrangedora a mudança tática e de postura do Inter contra o Bahia. Chutões e briga pela segunda bola longe da área do Inter. Isso significou uma única conclusão ao gol durante todos os primeiros 45 minutos, literalmente, jogar por uma bola.

A meu ver, pênalti claro, na passada do goleiro em direção a Edenílson, e um choque decorrente desse movimento. Infelizmente, a TV criou narrativa que Edenílson buscou o contato, quando, ainda que de forma equivocada, tinha desviado a bola  do goleiro. Mas o Inter foi só isso, mais a jogada em que Lucas consegue perder na bola aérea para o baixote Rossi, em jogada comprometida por impedimento não marcado, seguido de grande defesa de Daniel.

Mas há quem goste desse tipo de jogo apresentado, há quem elogie a capacidade de reagir à pressão com arrancadas em contra-ataques, e não é por acaso que, com um jogador a menos, o Inter finalizou mais que com 11. Como li, o time fica confortável não tendo que propor jogo e retomando a bola para pegar defesa desarrumada, parece bom pra todos, a zaga protegida por uma linha na sua frente, e um ataque especulador, faltas da intermediária e tudo o que vimos por muito tempo no Inter, e que não nos leva a lugar algum no alto de um pódio.

Aliás, não apenas quem goste, mas quem defenda que este é o modelo ideal, sem lembrar que jogamos nesse modelo já há alguns anos, coincidentemente o tempo que não conquistamos nenhum título.

Nesse quadro, difícil sequer imaginar que tipo de treinador a direção busca, pois qualquer um que venha deve compreender urgentemente a necessidade da retomada do poder pelo clube, tirando a decisão de como e quando jogar dos jogadores.

Aí pouco importa se é adepto de 433, 4132, 541 ou o que for, pois terá de trabalhar com um grupo que deve ser desmanchado o quanto antes. Certamente esse desmanche foi avaliado como prejudicial em uma temporada emendada, mas o prejuízo da saída da copa do Brasil é grande, por se tratar de competição que gera recursos por fases ultrapassadas.

O momento agora é de decidir qual caminho tomar na encruzilhada de ficar refém dos amotinados ou retomar o comando do futebol do clube, em um cenário de críticas desarrazoadas e sem fundamento, nitidamente movidas por interesses pessoais e desvinculados das finalidades do Inter.

Já adianto que não fará nenhuma diferença trazer um coordenador técnico, pois o problema não é de comunicação entre jogadores e comissão técnica ou direção. O quadro está posto e bem nítido, e nenhum dos caminhos será fácil, mas definirá o tamanho do clube, o tamanho que o Inter quer ter.

How useful was this post?

Click on a star to rate it!

As you found this post useful...

Follow us on social media!