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Dois tempos muito diferentes em Santa Cruz do Sul, o primeiro com a regular apatia, quase descaso com o jogo, e um segundo tempo mostrando um pouco das garras, mesmo não afiadas.

Odair vem consolidando o modelo do ano passado, com um quarteto no meio campo, e um jogador isolado na frente, um quarteto na defesa e um protetor. Com algumas alterações.

Dourado tem mais liberdade que o ano passado, talvez seja rescaldo do início com o 4231. Avançou mais, e errou mais também. Há o evidente acréscimo de Nonato, mais técnico que Patrick e Edenilson, e com muito mais vontade e movimentação que Patrick. Contudo, Neilton segue sendo jogador de lampejos, sem manter um nível mínimo durante a partida, e isso prejudica muito o time.

Aliás, Neilton jogou melhor o primeiro tempo, quando ficou mais livre do corredor esquerdo, mas a falha na recomposição prejudica todo o meio na ideia do Odair. Se Neilton não cumprir a função, serão poucos os marcadores e a linha não fecha. Sorte que Tito ficou pelo lado direito do Inter.

Patrick jogou melhor, mas muito longe do ideal. Erros de passes primários e tentativas de enfeites em jogadas no meio parece que viraram hábito desde o ano passado. Contra times sem muita expressão, dá pra recuperar, contra jogadores melhores e times mais rápidos, o erro ali é fatal.

A defesa evidentemente se ressente de ritmo e de falta de velocidade. Moledo tem melhorado, mas Cuesta parece precisar de um mês para voltar ao que era no final do ano passado. Assim mesmo é a saída qualificada do Inter. Iago foi bem, jogando no esquema que entende e que Odair também entende, e ficou mais seguro com a presença de um terceiro marcador no meio.

Zeca tem tudo para tornar-se um problema. Seus erros em tempo de bola estão se repetindo, e a compensação no ataque não aparece, seja pela presença do Pottker, seja por erros incríveis em cruzamentos e passes. Acertou um, quando teve tempo para parar, olhar e depois cruzar.

Pedro Lucas se firma como a melhor opção para o ataque. Estamos acostumados aos truculentos com pouca inteligência, e quando Pedro Lucas tenta jogar como um desses, não funciona. Mas quando sai da área e monta as jogadas para si mesmo, mostra qualidade e inteligência. É lúcido no passe, firme na parede e tem bom cabeceio e boa colocação. É guri, isso explica ser fominha às vezes e perder o momento do chute e passe. Merece seguir no time.

Odair teve sorte novamente, pois substitui Pedro Lucas equivocadamente, quando Neilton e Pottker pouco produziam. Esperava ver Sobis no lugar do Neilton, considerando que Pottker é o novo dono do time e só sai no desespero.

Pottker, como sempre, segue em sua sanha de jogador que acha que é muito melhor do que realmente joga. Segue individualista, sem criatividade e apostando em força física contra as leis da física. Mas é o dono do time, prejudica o esquema e tem matado qualquer chance de Zeca auxiliar no ataque. É frustrante sua incompreensão das jogadas e seus erros de domínio de bola, e sempre culpa o companheiro quando algo da errado. Acredito que esteja se tornando insuportável no grupo.

Odair não precisa muito para ajeitar o time com os jogadores que tem no elenco, mas vai precisar mudar o esquema se quiser um  time mais ofensivo. No segundo tempo, o Inter tomou conta do jogo, até o gol, por conta de um simples avanço em bloco de todo o time, aproximando mais os jogadores em um campo menor, surgindo aí jogadas de aproximação, ainda que a cultura do levantamento aéreo não tenda a desaparecer tão cedo.

Edenilson e Nico são titulares, Nonato deve seguir assim, e temo que sobre para Neilton sair do time ante a impossibilidade de Pottker sair. Pottker não saindo possivelmente significará  Nico na esquerda, onde rendeu pouco sempre que jogou ali, e vai comprometer o sistema defensivo também.

Odair deveria tentar o 442, com Lomba, Zeca, Moledo, Cuesta e Iago, arrumar um meio com Dourado, Edenilson, Nonato e Sarrafiore, fechando o ataque com Nico e Pedro Lucas, deixando esses três últimos com mais liberdade, e não controlados em faixas laterais do campo. Sarrafiore consegue fazer a marcação do meio campo, e Edenilson e Nonato se movimentam o suficiente na frente e atrás. Teríamos um ataque criativo e um meio que oferece opções de ataque e defesa, além de velocidade.

Mas Pottker não sai do time.

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