Enfim, o BV! | BLOG VERMELHO : Sport Club Internacional

Enfim, o BV!

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Esta sou eu com a primeira camisa do Inter que tive e que representa muito para mim.

Desde quando comecei a torcer pelo Inter acompanho o Blog Vermelho e sempre quis fazer parte deste time. Não foi por falta de tentativa (né, Louis?) Bom, alguns de vocês já me conhecem e sabem da minha história singular com o Internacional, mas não custa nada fazer uma pequena apresentação (que de pequena não tem nada, desculpem, mas a história é grande mesmo).

Meu nome é Jéssica Loures, tenho 21 anos, nasci em Barbacena, Minas Gerais, filha de pai botafoguense e de mãe atleticana. Tenho um irmão de 26 anos a quem considero responsável pelo sangue colorado correr em minhas veias. É bom explicar: meu irmão, Alexandre, nunca simpatizou com nenhum time de minas, do rio ou de são Paulo. Lembro que meus tios tentavam influenciá-lo a torcer para flamengo ou cruzeiro, mas ele não sentia paixão em nenhum deles. Depois de um tempo ele se apaixonou pelo Inter e se tornou colorado por volta dos dez anos. Mas essa é uma história dele.

A minha veio bem depois.

Dia 20 de Maio de 2009, quarta-feira. Cursava a 8ª série, com meus 14 anos problemáticos em matemática. Provavelmente em minha turma, falaram do jogo que sem querer eu acabaria assistindo. Vale frisar que nunca liguei para futebol, exceto os jogos da seleção que eu assistia na Copa do Mundo. Parece que é dever de todo brasileiro assistir aos jogos da seleção. Eu cumpria minha parte – pelo menos nos mundiais.

Uma quarta-feira normal, se não fosse pela surpresa que teria que mudaria minha vida. Havia aula na quinta-feira, mas por algum motivo – que me falha a memória – não fui dormir cedo como de costume. Por volta das 23h30 desse dia, passei em frente ao quarto do meu irmão. Seguia rumo ao banheiro, mas ele desviou meu caminho ao gritar, desesperado: “Jéssica, senta aqui e me ajuda a torcer pro Inter fazer um gol”. Olhei para ele, confusa e pensei: “Torcer pra quem?”.

De nada mais me lembro da conversa. Só sei que me sentei ao lado de meu irmão – fanático torcedor do Internacional de Porto Alegre – e comecei a assistir aos 15 minutos finais do jogo entre Inter e Flamengo, pelas quartas de finais da Copa do Brasil, no estádio Beira-Rio. Meu irmão apenas tinha dito que o tal Inter tinha que fazer um gol de qualquer jeito. Fiquei ali ao lado dele, assistindo à sua aflição e sua crença.

Num relance, observei o que a TV mostrava com tamanha precisão – um estádio lotado, cheio de torcedores trajados de vermelho cantando sem parar. Não sei o que pensei. Olhei para o lado e ali estava meu aflito irmão vestido de vermelho e branco. Sim, ele fazia parte daquilo tudo.

De repente ele gritou: “Falta!”. Não foi um grito comum e sim um grito desesperadamente forte e necessário, como se meu irmão sofresse uma angustiante e dolorosa espera. Juntou as mãos e rezou baixinho: “É agora, é agora”. Olhei para a TV e ao fundo todos torcedores repetiam o gesto. Pensei comigo: “Isso é torcer?”. Não, aquilo era acreditar.

O encarregado de bater a falta era Andrezinho. Acredito que enquanto ele se preparava, o estádio ficava mais silencioso. Quando enfim, ele cobrou e a bola começou a flutuar, o Beira-Rio se calou completamente. Era a última chance do tal gol sair. E lá no ângulo, ela, bola, linda e redonda foi entrar, fazendo um Beira-Rio explodir pela sofrida espera. Era gol. O gol da classificação.

Meu irmão gritava, pulava, chegou até a beijar a tela da TV. Soltei um sorriso. Dentro de mim, naquele instante, brotava – verde como grama de estádio – um sentimento. Surgia em meu coração a inexplicável paixão pelo futebol. Gritei e vibrei junto. Abracei meu irmão, que dizia sem parar: “Eu sabia, eu sabia!”. O Beira-Rio em coro começou a cantar para o mundo sua alegria.

Se meu irmão sabia, eu não fazia ideia de nada ali.

Fim de jogo. Minha mãe querendo dormir, foi no quarto onde estávamos e se espantou ao me ver acordada à meia-noite. Ela me olhou intrigada e disse: “Você está vendo jogo?”. Não sei o que respondi a ela. Sei que aquilo era tudo, menos um jogo comum.

Fui dormir com uma sensação extremamente diferente. Não sabia definir. Ao deitar minha cabeça no travesseiro eu estava… Feliz! O sorriso em meu rosto era a prova da magia do futebol – é única.

Tempos depois me questionaram sobre o time pelo qual eu torcia. Pensei no vermelho que via ao olhar para o céu depois daquele gol de Andrezinho. Respondi: “Eu torço pelo Inter… é para o Inter”.

Aos poucos o vermelho e branco tomava conta da minha vida. Meus domingos jamais seriam como antes. Acostumaria-me a dormir à meia-noite todas as quartas ou quintas e ao deitar a cabeça no travesseiro eu estaria sempre feliz.

Decidi escolher o jornalismo, pelo Inter. Descobri talento na escrita e em falar de futebol. Em 2010 criei o blog “Inter & Nilmar – 2 Paixões”, onde eu escrevia sobre o Inter e sobre o Nilmar. Em 2014 mudei o nome do blog para “Guria das Gerais” e continuei com meu trabalho nas crônicas sobre o Inter, porém mais amadurecida. Muita gente me pergunta se deixei de ser fã do Nilmar. A realidade é que continuo admirando-o, independente de suas decisões, mas não com a histeria que os 15 anos permite.

Imagine agora se meu irmão não tivesse me chamado naquele dia. Imagine se eu não tivesse ido a seu encontro e sentado a seu lado. Bom, eu não estaria contando essa história. Não estaria mesmo, pois sei que não haveria outro momento para aquilo acontecer. Portanto, obrigada Alexandre, mais uma vez.

Gostaria de agradecer ao Louis pela oportunidade e também aos leitores do BV e do Guria pelo apoio, sei que muitos torciam para que eu estivesse aqui. Espero que gostem do meu trabalho.

Podem seguir e adicionar nas redes sociais e visitem meu blog também! Inté!
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Blog: www.guriadasgerais.com

Jéssica Loures

Author: Jéssica Loures

Estudante de jornalismo, mineira, gaúcha de coração. Cronista esportiva e fanática colorada. Criadora do www.guriadasgerais.com

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