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INTERNACIONAL x Goiás

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American Flyers” (Na sessão da tarde: “competição de destinos”)

Eu gosto muito de esportes em geral. Todo tipo de esporte. Mas, tenho um carinho especial pelo ciclismo. Na verdade eu me vi equilidrado sobre uma bicicleta e pedalando muito antes de chutar uma bola em um campo de futebol. Meu primeiro chute acidental durante um jogo de futebol foi num passeio de verão da escola. E foi um chute só, para a frente, próximo a linha lateral – pensando bem até que não foi pouco, isso foi muito mais do que fez muita gente que vestiu a camisa do inter nos últimos anos.

Mas, enfim, foi só um chute. Bem antes disso eu já estava curado de uma luxação no pulso esquerdo por conta de uma queda: um vizinho jogou uma pedra em minha roda dianteira enquanto eu tentava quebrar o meu recorde pessoal de downhill… na ladeira perto de casa.

Quando a bicicleta que eu havia herdado da mãe foi aposentada (a saudosa e já apresentada Caloi Cruiser vermelha) pedi a ela uma “Caloi 10” para substituir o equipamento, uma vez que as andanças pelas estradas estavam me fascinando. E, como toda boa mãe, mesmo contra as restrições orçamentárias, ganhei uma bicicleta nova – que não era nem Caloi, muito menos 10. Era uma montain bike montada na loja do bairro. Quadro de aço, guidão de alumínio (perdi a conta de quantos eu parti ao meio nas mais diferentes situações) e eu seguia sendo um perna-de-pau no futebol. Mas revesava horas para gastar no campinho de várzea e outras horas para pedalar.

Cabe uma explicação aos estrangeiros, aos mais jovens e demais desinformados do fato de que a Caloi 10 foi a primeira bicicleta com marchas no país. Logo, por um tempo, toda bicicleta com marcha era chamada de “Caloi 10 (algo como bombril, xerox…). Então, na equação da lógica materna eu ganhei:  bicicleta + marchas = caloi 10

Não tinha talento para ser um novo Taffarel e a bola brigava comigo quando eu atuava na linha – a única coisa que eu tinha que prestava era um bom passe (especialmente em lançamentos) e as cobranças de falta. Por outro lado, eu seguia firme minha evolução com as magrelas – as com mais curvas também, mas, nesse caso específico, me refiro só a bicicletas. Tanto que a muito custo consegui convencer minha patrocinadora master, conhecida como mãe, a me dar uma bicicleta melhor e mais moderna. Ambicionava começar a competir.

Após alguns percalços na entrega para montagem, onde duas bicicletas vieram com defeito e foram devolvidas, a terceira veio perfeita. Pintura metalizada impecável (a muito custo confesso que era azul), toda em aluminio, com suspensão dianteira e os cabos todos passando pelo tubo superior. Nada mal para começar a lida competitiva.

Acordo naquela manhã de 04 de agosto de 1995 e vou buscar minha magrela (bicicleta, meus jovens) na conhecida loja do bairro. Porém, naquele dia não cheguei em casa. Eu deveria saber que uma bicicleta azul não tinha como dar certo. Fui atropelado na volta para casa e encerrei ali minha carreira de ciclista profissional. Depois de menos de meia hora de aspirante ao ofício consegui uma internação no hospital e uma fratura na clavícola esquerda – não necesariamente nessa ordem. Segundo a perícia eu fui projetado a aproximadamente 15 metros de distância e a uma altura de 2 metros. Consegui chegar a ser colunista do BV porque cai sobre um canteiro que amorteceu a queda e reduziu os danos.

Então, passou o tempo, a criança cresceu e semanas atrás aparece aos meus olhos uma promoção de um rebirth da Caloi 10 (agora Caloi “14”) . Não resisti e adquiri o produto a um precinho de ocasião, na cor preta com detalhes amarelos (perfeita). Já falei num post antigo do velho BV que gosto dessa combinação de cores.

Ver aquele anuncio da Caloi 10 foi mais ou menos, na minha mente, como um anúncio antigo da Porsche: você pode comprar uma bike (carro) rápida, Você pode comprar uma bike (carro) clássica… Ou você pode comprar uma Caloi 10 (um Porsche).

Então, dadas as devidas proporções, nessa sexta-feira, após finalizar os preparativos para a inauguração da magrela abri uma cerveja e me resignei a minha insiginificância atual e fui assistir ao jogo da série B que estava acontecendo: Paysandu x Ceara.

Pode ter sido a cerveja, então, peço a ajuda de vocês pra ver se estava vendo certo. Eu não percebo NENHUMA diferença entre o futebol que o time do INTER apresenta na maioria dos jogos para o futebol apresentado pelos times de orçamento menor. Nenhuma diferença, nada, ZERO. Exceto os dias em que o INTER consegue jogar pior.

Escondida num canto do mercado a 12 cruzeiros… como não levar?

 

É o mesmo que comparar minha humilde Caloi 10 com uma Pinarello Dogma F10 (A bicicleta da equipe campeã do Tour de France 2017 – custa aproximadamente R$ 80 mil, contra menos de R$ 1.000 da minha).

Com essa magrela high-tech os maluco conseguem andar a quase 60 km/h na Champs Élysées enquanto eu peno penei pra chegar aos 25 km/h de média no meu pedal de sábado.

“Mas a maior diferença nem é a bicicleta…” vocês irão de dizer.

Além de concordar eu completo: vocês estão entendendo onde eu quero chegar…

 

EDIT

Como está o estádio?

 

Fotos by Eneas:

 

FOTOS by Mauro:

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Cristian

Author: Cristian

Brasileiro! Não desiste nunca...

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