Caminhos Cruzados

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Esteja atendo! (Pepe troca seu cache por carninha)

“Quem nunca dormiu lendo? Ou quase isso…” Era a legenda da foto no Instagram. Mas, ampliando um pouco mais: quem nunca “dormiu” acordado?

Antes de entrar no mercado financeiro eu trabalhava na área industrial. Meu último patrão na lida metal-mecânica tinha duas frases que eu considero clássicos de gestão. A primeira diz respeito a boa vontade e comprometimento: “não gosto de ouvir ‘não dá’. Isso quer dizer que a pessoa nem tentou e já diz que é impossível. Eu quero que me digam, na pior das hipóteses, ‘não deu’. Aí sim, a pessoa foi lá em sua tarefa, tentou e realmente vamos ter de pensar algo novo… Com quem diz ‘não deu’ a gente sempre pode contar pra resolver um problema, já com quem diz ‘não dá’ a gente nunca vai sair do lugar”.

Mas, para apresentar a frase mais emblemática, a que motiva essa postagem eu tenho de contar uma história.

O ano era 1997…

Antes disso, um parênteses: quem cursou ensino médio no Rio Grande do Sul em meados dos anos 90 deve lembrar do sistema de refrigeração usado para os adolescentes e seu turbilhão de hormônios: um ventilador de teto com pás de aço que mais espalhava vento quente do que condicionava o ar. Quando era ligado fazia o inconfundível ruído “FOOUUULLL… FOOUUULLL… FOOUUULLL…”

Pois não era apenas a rede estadual de ensino que tinha o famigerado ventilador inútil. A rede de ensino federal também, pois em 1996 ingressei no Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (CTISM)…

O ano era 1997. Em meados de agosto um colega me empresta uma fita cassete com seu nome em letras maiúsculas: TIAGO. Quando coloco a fita cassete em meu walkman CCE novinho a primeira música começa “FOOUUULLL… FOOUUULLL… FOOUUULLL…”

Sepultura – Refuse/Resist [OFFICIAL VIDEO]

© 2007 WMG Purchase Chaos A.D. from iTunes – http://bit.ly/dnaim6 Sepultura – Refuse/Resist

Era uma coletânea do Sepultura da era Max+Igor Cavalera que meu amigo nega até hoje que porventura, algum dia tenha passado pela mão dele. Mesmo que a dita fita k7 (jovens era tipo mp3) tenha saído da mão dele e nela estavam seu nome e sobrenome. Mas vá lá, que seja o destino quem quis que eu entrasse porta a dentro do laboratório de metalografia para ver meus colegas tirarem os olhos esbugalhados do microscópio enquanto eu rompia o umbral da porta com o Max Cavalera berrando aos meus ouvidos. Vá lá: destino? Não sei.

Foi paixão a primeira ouvida. Tanto que nos últimos vinte anos perdi a conta de quantas vezes ouvi essa música (e várias outras) dos irmãos Cavalera. Considero o Igor o melhor baterista do mundo, pelo menos para a minha corrida, enquanto o Max e seus riffs são “coadjuvantes” de luxo. Certamente, pelo menos nos últimos 3 anos, uma vez por semana é certo que eu tenha ouvido Refuse/Resist pois ela está no meu setlist de corrida.

Aí vem a frase bombástica de meu ex-patrão: “não gosto quando vou falar para alguém algo que vai fazer ela trabalhar melhor e antes que eu termine me diga ‘mas fazem 20 anos que faço desse jeito’. De que adianta fazer a 20 ou 30 anos a mesma coisa, do mesmo jeito, se, na verdade, faz do jeito errado?

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Zyon optou por “Refuse/Resist”, o que foi fantástico, porque 18 anos antes os seus batimentos cardíacos abriam a versão original… “OS SEUS BATIMENTOS CARDÍACOS ABRIAM A VERSÃO ORIGINAL”… “OS SEUS BATIMENTOS CARDÍACOS ABRIAM A VERSÃO ORIGINAL” (e sigam em looping infinito com “OS SEUS BATIMENTOS CARDÍACOS ABRIAM A VERSÃO ORIGINAL”)

Antes de meu cachorro usar a Biografia do Max Cavalera como travesseiro eu tinha descoberto que a introdução mais foda da história do Rock eu tinha associado ao som de um ventilador de teto no meio de uma sala vazia. Não importa o seu riff de preferência, nada é maior do que o som da vida. NADA! E uma música que termina como se fosse bateria de escola de samba, uma canção heavy metal, é foda ao cubo, é uma coisa única.

Nessa vida a gente cria certezas que nem sempre são certas. Nisso, não sei até que ponto os erros e “burrices” dos treinadores são convicções equivocadas e a partir de que ponto pode existir má fé. Tudo é possível no mundo do futebol onde alguns treinadores, aqueles do seleto grupo do “sempre cotados”, de rescisão em rescisão, de fracasso em fracasso vão ficando mais ricos.

Ainda ecoa em meus pensamentos a frase “seus batimentos cardíacos abriam a versão original…”. Um misto de remorso com mais um sem fim de sentimentos que não consigo definir se misturam por conta desse “erro”. Nisso fico pensando – apesar de já saber a resposta – será que os treinadores sentem alguma coisa por conta de seus erros e convicções equivocadas? Pela forma que se portam e pelo quanto ganham não dá pra imaginar que tenham alguma espécie de remorso. No máximo que se sentem vítimas de um sistema injusto que privilegia o resultado.

Mas, amigo, a vida é resultado. Se você não der conta do que tem em casa seu par vai procurar quem o/a faça feliz. Se no seu emprego você não entregar os desafios propostos a empresa fecha as portas. Se no time de futebol mais gols forem sofridos do que marcados a equipe é rebaixada. A vida é simples.

Quando chegam os salvadores, quando o portador da última esperança entra pelas portas do clube e os pactos começam a ser feitos “fechando o grupo”… Tem muito mais coisas paralelas ao esporte para serem explicadas do porquê o desempenho estar tão fraco do que propriamente esquemas táticos e escalações. Salários em dia e prêmios por desempenho tornam muito mais times competitivos do que a escalação certa.

Não falo nada, só observo…

Dupla Identidade – Sepultura (Two Faced Mask)

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Author: Cristian

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