Politicagem

4.6
(10)

Embora o tema seja complicado (em todas as esferas), penso em tentar não me repetir mesmo que os assuntos, a rigor, tem sido o mais do mesmo a cada nova semana que se arrasta, mas passa. Então, talvez seja hora de traçar algumas breves linhas acerca da política do Clube, afinal, salvo alguma pirotecnia estatutária, o Sport Club Internacional deverá ter um novo presidente já no primeiro dia do ano vindouro. E neste contexto, só uma pergunta que nunca se cala: terá alguém força para desbancar o MIG?

Quando falo em desbancar o Movimento Inter Grande, refiro-me ao sentido lato sensu da dimensão da assertiva. Antes, para tanto, é preciso lembrar que este grupo já controla a administração do Clube desde o ano de 2002, quando Fernando Carvalho iniciou sua trajetória vencedora, convenhamos, ainda que manchada pelo final melancólico. Daí os presidentes que lhe sucederam, e foram apenas três, todos vinculados ao MIG. É um modelo de gestão que galgou importância histórica, quiçá será lembrado na posteridade tal qual “os mandarins”, mas que como tudo na vida, esgotou-se no próprio método, notadamente quando a galinha dos ovos de ouro começou a secar, ou seja, a base produtiva parou de revelar fontes rentáveis e as contratações do tipo “balaiada” passaram não só a não fazer lucro, mas se transformar em claro prejuízo. O exemplo mais recente disso é o negócio envolvendo Guilherme Parede, que foi vendido por valor inferior ao pago e a coisa só não foi pior porque o dólar se valorizou e vamos receber a nossa parte somente agora.

Só que deu certo por um tempo. Vendemos lá atrás o Nilmar e trouxemos jogadores como Fernandão, Iarley e outros. Vendemos Sandro mas trouxemos Guinazu. Aparte: eu estou apenas exemplificando e não sendo fiel a cronologia, para esclarecer. E muitos outros negócios nesse transcurso do tempo surgiram. Com o minguar das “estrelas” e o aproveitamento irregular da base, também os títulos foram se esvaindo, afora todo o resto que já bem conhecemos e que aconteceu dentro do Inter neste tempo. A metodologia, portanto, precisa mudar ou ser no mínimo ser reinventada. É preciso oxigenar a gestão. Aí, me repiso: terá alguém força para desbancar o MIG?

Nota-se que desbancar o MIG pode acabar sendo apenas uma força de expressão. Explico. Grande parte dos grupo políticos que temos hoje são, em verdade, células do MIG que, por restarem sufocados dentro de um ninho de cobras, acabaram buscando uma nova nomenclatura. Todavia, não nos deixemos enganar, afinal, a fruta nunca cai longe do pé. Aliás, dizem que dentro do MIG ainda há uma ala ainda mais radical, algo que teria sido denominada de “Confraria” e que entende que o método que não dá mais certo não pode mudar. É o exercício de se manter no poder só pelo poder, pelo visto. Não sei, enfim. Mas que parece, parece.

A meu ver, a “oposição” não tem nenhum candidato apto a desbancar aquele que será indicado pela situação, convenhamos. O caminho, logo, está pavimentado para a continuidade, ainda que dos favoritos (um nem seria do MIG – atual vice de futebol), dois deles ao menos, teriam problemas de ordem legal (regra do Profut) e estatutária que podem restringir a candidatura. A propósito, nosso maior rival passou por algo parecido e acabou encontrando pacificação em um político profissional que não detinha relação direta com o dia a dia do seu cube.

Afinal, quem poderá nos defender?

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Author: Bruno Costa

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