Paciência

4.7
(18)

Inicio mencionando que o que segue foi escrito após o jogo do final de semana, sendo que as pontuações sobre o jogo de ontem serão feitas, brevemente, ao final.

Veja-se como é difícil a vida nossa de Colorado. Passamos anos com arremedos de treinador por aqui; trocas sem sentido, uma atrás da outra, pensando tão somente no próximo jogo ou quem sabe em beliscar uma vaga na Copa Libertadores do ano seguinte. Aí em 2014 voltamos a apostar no mais do mesmo Abel Braga que, é bem verdade, tem seus méritos e até fez um campeonato brasileiro honesto, valendo ao seu final – quase como título, tirando uma vaga direta do tempo aquele de São Paulo que é nosso inimigo de morte. Mas, apesar da alegria, é verdade que foi pouco, convenhamos. Aí obteve ligeira esperança com Diego Aguirre, implodida após um jogo que, de fato, não poderíamos ter perdido. Mas e o lateral-esquerdo da “Seleção”, podia ter feito uma lambança daquelas?

De lá para cá tem sido um Deus nos acuda, até que fosse dada uma chance ao técnico auxiliar para o treinador efetivado. Pareceu ser um caminho interessante no começo, com o tempo em frangalhos que até fez uma campanha bem razoável na volta à elite do futebol brasileiro. Só que é bem verdade que criamos ali uma nova zona de conforto, aquela do baratinho que poderia dar certo e quase nos enganamos com uma boa campanha de Libertadores em 2019 (caímos para o campeão), onde o espírito de treinador de tempo pequeno começou a aparecer em Odair Hellmann e que se consolidou numa final da Copa do Brasil que, convenhamos, tínhamos que ter ganho. Não tem qualquer desculpa.

Bem ao certo é que perdemos muito tempo com Odair; e todo mundo aqui (ou quase) acho que concorda com isso. Aí, resolveu a diretoria, enfim, contratar um técnico de verdade, já com serviços prestados, elogiado por aqui nos anos anteriores, com a ideia de romper uma mística que vinha de tempo: o tal (e pernicioso) futebol reativo. Só que não é uma tarefa nada fácil, afinal, há quanto tempo jogamos pela fatídica “uma bola”? Pois bem. Mas, além disso, nossa própria torcida não tem paciência e, nisso, Coudet acertou na coletiva pós jogo no Rio de Janeiro. Queremos uma base; aí se coloca a base em campo e a base … não serve, tem que colocar o veterano. É uma roda gigante que nunca encontra o seu fim …

Obviamente, Eduardo Coudet tem parcela de culpa fundamental em todas as derrotas que obteve este ano, num total de 4. Pois é. Nesta última, para um tempo de veteranos, novamente apostou naquilo que já sabemos que não dá certo: Patrick; ademais, insiste naquilo que tem comprometido: Moisés. Quando troca, ainda sua “aposta” é em jogadores cujo resultado positivo não existe: Pottker e Musto (este último pouco contribuaria empatando, quiçá perdendo). Escalou mal, ainda que ganho com facilidade com o mesmo tempo, dias antes; trocou de forma ainda pior. Além disso, duas coisas que eu não entendo em Coudet: demora demais para mexer no momento e não dá sequência para Praxedes. Também, parece ter arquivado D’Alessandro e eu não vou aqui entrar na onda de que está aposentado.

Só que o buraco é mais embaixo. O tempo parece ter problemas emocionais. Ora, deu pane após o empate, assim como travou nos dois clássicos depois que tomou gol. Não buscar tentou o empate após a virada do tempo das Laranjeiras e tampouco contra o coirmão. Aceitou pacificamente as derrotas, assim como já o tinha feito na final da Copa do Brasil, em casa, diante de todos nós.

Vou me seguir irritando muito vendo o Inter jogar, mas sigo apostando em Eduardo Coudet. Do contrário, já enxergo o Abelão desembarcando e, convenhamos, já deu né? Só que para chegar no topo e ficar por lá, precisamos desenterrar algumas coisas, expurgar e seguir em frente. Chega do mais do mesmo. Os jogadores precisam tratar a cabeça, pois futebol o jogo contra o Santos, que existe.

E seguir em frente. Com paciência.

***

PS.1 : Balde de água fria a lesão de Guerrero. Quanto ao Alexandre Pato, já tinha ventilado o nome do mesmo para ser seu parceiro, logo, por coerência, creio der uma boa para todo o mundo. Futebol não é ciência exata;

PS.2 : Depois de um primeiro tempo em que apanhamos até da bola, o mesmo time no segundo tempo mostrou que os problemas emocionais podem ser controlados. Inclusive Musto, acima criticado, ontem fez uma bela partida. E Thiago Galhardo, mais uma vez, mostrado porque foi a melhor contratação do ano. Outrossim, a vitória não foi mais que obrigação;

PS.3 : Espero, sinceramente, que após o episódio patético de ontem – afora a falta de futebol em 4 temporadas, tenha sido o último jogo de William Pottker com a camisa do Internacional.

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Author: Bruno Costa

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