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Sábado sem futebol, domingo sem futebol. Todos jogando menos Inter e Brasil de Pelotas. Isso só pode ser algo contra o RGS; porque não começar um movimento de independência e pôr um ponto final nessa odiosa discriminação?

Se fossemos independentes nosso campeonato nacional seria o charmoso gauchão. As chances de termos sucesso nesse seria muito grande e aí o prolongado jejum de títulos nacionais se acabaria.

Motivo para nos separamos do resto do país temos: sábado e domingo sem futebol. E mais, como se só isso fosse irrelevante: nos botam para jogar na segunda feira! Esse dia é útil e não tem nada a ver com inúteis em campo.

Posso estar mais amargo do que o normal nesse momento, mas a perspectiva da segunda feira é aviltante.

Em nome da minha saúde mudo de assunto e vamos tratar de amenidades. Como por exemplo trechos da entrevista do “Fat” Guto, depois do ocorrido no Paraná contra o time do mesmo nome.

Registro o que disse o boneco de ventríloquo que circunstancialmente ocupa nesse momento o retângulo que lhe cabe à beira do gramado. As declarações – repetidas com variações sobre o mesmo tema, ad nauseam, por todos antecessores – deveriam ficar gravadas em alguma rampa de acesso ao campo, no Beira. Ali poderiam ser pisoteadas e até lidas na passagem para mais adrenalizar os torcedores.

Sigo amargo como sempre e nem um pouco politicamente correto, aliás, algo que já está me dando nos nervos.

Esse tal de “politicamente correto” é uma censura total. Se ele existisse no tempo do “nêga do cabelo duro“, essa música não existiria. Ter uma “nêga chamada Tereza” nem pensar, e que seria da “cabeleira do zezé, será que ele é, será que ele é“? Monteiro Lobato, como viveria sem sua tia Nastácia na cozinha como empregada da folgada vó Benta? Mais “Casa grande e senzala” do que isso impossível.

Desculpem pelo desabafo. Vamos aos trechos da aludida entrevista.

     “Fat” Guto não quer ver nada do time e esconde fatos e verdades, nos fazendo de palhaços (prática habitual dos poderosos de plantão).  

“Eu acho que o resultado foi um pouco injusto com a gente. Eu não vejo uma superioridade tão grande assim no Paraná para poder ter ganho o jogo, mas no futebol, infelizmente, se eles fazem e você não faz, você perde. Eles foram competentes numa bola e tiveram a competência de impedir a gente de fazer. Por isso, o resultado acabou sendo um a zero para o Paraná. Na minha opinião, o Paraná foi feliz no gol. Fora isso, o Paraná não foi uma equipe que impôs e não superior ao Inter para ter vencido a partida do jeito que venceu. Foi um jogo no detalhe e este detalhe fez a diferença. Acho que o Inter teve mais quantidade de situações claras que o Paraná “.

     “Fat” Guto trata de algo que conhece bem, a gordura.

“A situação não tem um peso de trazer algum tipo de preocupação em demasia porque nós temos uma gordura. Mas falar em gordura é muito relativo. O futebol num estalo de dedos tudo muda. Então, a gente tem que estar muito preocupado sim para a próxima partida o que a gente vem fazendo”.

     “Fat” Guto insiste no tal “trabalho” e sutilmente mas nem tanto joga a culpa em alguém (os tais meninos que sabemos bem quem são), sempre os mais facilmente culpáveis pelo horror que o time apresenta.   

 “Por mais que se trabalhe, houve uma queda bastante acentuada do conjunto. Eu não quero colocar culpa nos meninos, até porque os dois zagueiros trabalharam muito bem no jogo. Mas por mais que você treine ainda existe a questão do momento do ambiente, do entrosamento momentâneo, e o futebol num segundo se resolve. Foi justamente neste segundo que o menino do Paraná foi mais feliz”.

     “Fat” Guto insiste nas desculpas inconsistentes e sem sentido, como muitas trocas, falta de tempo para treinos, um campo diferente e um jogo muito rápido” (essa é nova!).

“Eram muitas trocas, numa sequência numa semana que praticamente nós não treinamos. Nós praticamente descansamos os jogadores e ainda assim no segundo tempo nós conseguimos empurrar o time do Paraná para dentro do campo de defesa. Outra coisa, o campo é um campo que é necessário se adaptar. É um campo diferente, um jogo mais rápido. O nosso time fez um bom jogo sem nunca ter treinado num campo destes. O Paraná fez dois ou três treinos”.

Não sei se é esse ano que está chegando ao fim, essa maldita série “B” onde nos enfiaram ou que outras razões possam haver, mas estou realmente muito cansado dessas bobagens todas. Saindo do plano rasteiro desse colorado de quem sigo olhando com afeto teremos em breve outra copa do mundo. Pela primeira vez não tenho nenhum interesse por ela, pelos paises que irão disputar, pelos que ficarão pelo caminho.

Esse grande circo é totalmente manipulado por uma máfia global que põe e dispõe onde vão jogar, atendendo à interesses delituosos. Com isso abro mão do circo e me contento com o pão. Para não ficar na humildade total, posso pôr em cima dele alguma manteiga e goiabada caseira ou vou comer com um salsichão saindo da brasa, a gordura derretendo e escorrendo pelos dedos.

Essa última imagem me remeteu para o “Fat” Guto e me dei conta de que o mundo é mesmo uma bola, redonda e tudo, em que as conexões com o futebol e tudo que lhe diz repeito são totais, com o que retorno ao ponto de partida de um sábado e domingo sem futebol.

Que a semana que começa seja prazerosa. É pedir demais?

(*) STD: Sem Título Definido.

 

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Author: Airton Kwitko

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