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FUNDAMENTOS

 

Lembro que quando Damião chegou no Inter se dizia que ele não tinha fundamentos porque não havia estado em categorias de base.

Não digo que ele seja um grande jogador; teve sua fase de sorte (talvez) e aí está.

Tento ver jogos do campeonato brasileiro (alguns passam aqui no meu “pacote” de futebol pela TV) mas é algo que beira o insuportável.

Pode parecer soberba da minha parte mas não é. O jogador brasileiro não tem fundamentos de como jogar futebol. Dois exemplos daqui da Espanha:

1º Paulinho: chegou no Barça vindo da China, considerado um país “cemitério” de jogadores; esses vão jogar lá para ganhar dinheiro ou em fim de carreira e depois, ricos, se aposentam ou voltam para enganar um pouco mais por aí. Pois bem: Paulinho chegou cercado de muita desconfiança e logo se adaptou ao futebol do Barça, ao seu estilo de jogo, de toque, deslocamentos, posse de bola, essa sempre no chão. Pode-se dizer que Paulinho tem fundamentos ou que o padrão do Barça o enquadra e ali desempenha – e bem –  suas funções?

2º Minha filha joga hóquei na grama e em alguns sábados pela manhã ocorrem partidas por um campeonato. Ao lado do campo onde ela joga existem outros dois onde outros campeonatos são disputados, sempre por meninos entre os 12 – 15 anos.  Para mim é surpreendente a forma como jogam: o goleiro só dá chutão quando pressionado, caso contrário sempre sai jogando; os meninos tocam a bola em no máximo dois toques, com a gorduchinha sempre no chão, se deslocam, não simulam nada e nem rolam pelo chão como cobras.  São gentis com os adversários e pedem desculpas por eventuais faltas e muitas vezes os ajudam a levantar.

Inexistem cruzamentos malucos da intermediária, lançamentos para o atacante do tipo se der deu. O que é isso?

Pode-se dizer que é um padrão de futebol espanhol? E na sequência: o que temos no Brasil se constituiria em um brazilian style, diferente?

Se for isso mesmo, esse style necessita mudar rapidamente. Explico.

Futebol é espetáculo e necessita de dinheiro para sobreviver e se aprimorar. Se o espetáculo oferecido é precário, menos pessoas irão se associar ao clube, menos irão ao estádio, menos patrocínio, tudo menos…

Há que se repensar esse triste futebol brasileiro para o transformar em um espetáculo atraente, o qual quando acaba fica na boca um gosto de quero mais e não, que haja um suspiro de alívio pelo final do terror explícito apresentado.

Creio que isso passa por transformações na escolha de dirigentes – não dar o cargo ao amigo do rei mas a algum competente para a função – e com isso, entre outras coisas, alterar os conceitos das categorias de base para que ali os fundamentos possam ser introjetados. Acabar com o conceito de que as categorias de base visem ganhar títulos, os quais de nada valem (quem foi o campeão da sub-17 ano passado? ou da sub-20? e da sub-23?).

Como uma coisa puxa a outra: sub-23! Gentes! Se o homem (um cara com mais de 20 anos é um homem) não deu certo até essa idade, descarta com cortesia e abre espaço para outro e assim vai até que um apareça. Só um! Não quero mais do que um ao ano!

Arthur foi vendido ao Barça por 30 milhões de euros (isso dá 120 milhões de reais). Ao coirmão cabem 60% disso (72 milhões). O vencedor da Taça Brasil vai ganhar R$ 68,7 milhões como premiação. Arthur rendeu mais do que ganhar a TB.

É claro que de nada adianta haver um craque em potencial nas categorias de base se sua trajetória é barrada por escolhas comerciais, as quais dão preferência ao contratado – que rendeu comissão na venda (ao outro lado) e na compra (ao lado de cá). Alem de que sempre se pode ficar com uma “beira” de seu salário para compensar o trabalho sem ônus do dirigente.

Aliás: aí está outra coisa que nunca entendo. Uma pessoa larga tudo e vai se dedicar ao time “de grátis”! Gentes!!!!! Eu achava que era um ingênuo em acreditar em papai-noel, coelhinho da páscoa, sementinha que papai botou na barriguinha da mamãe, mas havia um desculpa: minha (então) pouca idade.

Mas homens adultos que acreditam no abnegado trabalho de uma pessoa sem ônus, apenas motivado pelo amor ao clube? É o que? Quem dos raros leitores poderia fazer isso? Como eles podem? É claro que não podem. Essa é uma das tantas mentiras que conspiram contra a melhoria de nosso futebol.

Fico nesses devaneios e me pergunto: eu sou muito inteligente por ter essas ideias ou os dirigentes do nosso pobre futebol são pouco argutos? Acho que as duas coisas.

PS: A imagem de abertura do post fala de preparação para o “duelo” com o São Luiz. É uma vergonha se dizer que haverá um duelo entre esses clubes, com todo o respeito ao São Luiz. Ou não?

Author: Airton Kwitko

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